COLIBRI
Ouço sua voz nas
gotas da chuva,
Dizendo-me que
sente saudades,
Mas a saudade diz
que a vida dá voltas,
E nem sempre gera
a felicidade,
E os desejos se
escondem dentro de um grão,
A pedra no sapato
de qualquer cidadão.
Não me olhe com
seus olhos de pimenta,
Feito ave
agourenta,
A saciar seu
desejo de me degustar,
Como um prato de
especiarias vazias.
Um leito de
colchas retalhadas pelo tempo,
Penso no que
sinto pela vida,
Que traz a
felicidade nos momentos,
E demora passar
com a tristeza,
Nos cantos dos
pássaros mórbidos,
Na suavidade de
uma borboleta,
Tu estás, me
vigiando em seu coração,
Querendo voltar
no tempo dos castelos e fadas,
Das velhas idéias
por mim exageradas,
Nas regras
quebradas,
Na vida que ficou
num mundo que passou,
E que no triunfo
de chegar no futuro,
Na história
escondida tropeçou.